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Os exames de imagem aplicados na medicina, como o raio-x, a ultrassonografia, a tomografia, o PET-CT e a ressonância magnética, mostram detalhes da anatomia normal e patológica. Algumas dessas estruturas até há pouco tempo só podiam ser imaginados ou identificados, tarde demais, em necropsias. Assim, é compreensível o entusiasmo e a expectativa da população e dos médicos em relação à utilização desses exames na prevenção e no tratamento das mais diversas doenças.
Figura 1- O raio-x de tórax foi um dos primeiros exames radiológicos utilizados na medicina.
Entretanto, muitas aplicações rotineiras dos principais exames de imagem ainda não foram respaldadas por evidências científicas quanto aos reais benefícios ou mesmo aos possíveis danos aos pacientes. Isso acontece, pois, a tecnologia evoluiu rapidamente nas últimas décadas, enquanto os estudos científicos, metodologicamente criteriosos, sobre a sua utilidade prática consomem tempo e limitados recursos em pesquisa. Recomendações institucionais isentas sobre as vantagens e as desvantagens relacionadas à utilização de novos exames podem levar décadas até serem conhecidas.

Figura 2 - Ressonância magnética de mamas com contraste (pMEmaxx enhanc) mostrando na mama esquerda nódulo irregular e espiculado, com realce ao meio de contraste. Através desse exame é possível identificar detalhes fantásticos da anatomia e da fisiologia normal e patológica das mamas, das axilas e da parede torácica. Entretanto, nem sempre esse detalhamento é vantajoso ao diagnóstico ou ao tratamento das pacientes com câncer de mama.
Para os pacientes, os exames de imagem podem servir como uma segunda opinião ou trazer mais segurança no diagnóstico e no médico. Entretanto, os exames de imagem são frequentemente utilizados apenas para atenuar a ansiedade dos pacientes ou de seus familiares. Para o médico, a solicitação de exames de imagem também pode ser encarada como uma forma de proteção contra processos por erro diagnóstico ou terapêutico, a chamada medicina defensiva. Entretanto, para que ocorra um real benefício à saúde do paciente, é necessário que os exames de imagem sejam indicados em contextos clínicos adequados. Em outras palavras, é muito mais provável achar algo relevante em algum exame, quando sabemos o que estamos procurando.