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Aspectos ultrassonográficos da adenomiose

Aspectos ultrassonográficos da adenomiose

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Aspectos ultrassonográficos da adenomiose

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Aspectos ultrassonográficos da adenomiose
Autora: Karla Galvão Araujo                                                                                                                                                                                                                                                         
Aspectos ultrassonográficos da adenomiose 
Adenomiose é uma doença ginecológica comum caracterizada pela presença de glândulas e estroma endometriais no miométrio, frequentemente associada à hipertrofia e hiperplasia do miométrio adjacente ao tecido endometrial ectópico.  Em uma revisão sistemática com metanálise conduzida por Meredith e colaboradores (2009) foi observada uma prevalência geral de adenomiose de 27,9%. O quadro clínico compreende aumento uterino, sangramento uterino anormal, dispareunia e dismenorréia. O impacto na fertilidade é muito provável, mais ainda controverso. Diferentes estudos têm demonstrado resultados contraditórios sobre a influência da alteração na zona juncional no sucesso da implantação. A frequente associação com leiomiomas e endometriose contribui para o subdiagnóstico da doença.A ultrassonografia transvaginal (USTV) é o primeiro método de imagem indicado para a investigação da adenomiose, obtendo sensibilidade entre 50 e 89%. Quando realizada por examinador com capacitação e experiência em ultrassonografia ginecológica, tal método obtém boa performance para o diagnóstico da adenomiose.Vários estudos têm demonstrado que a USTV realizada por médicos experientes e ressonância nuclear magnética (RNM) apresentam uma acurácia semelhante para o diagnóstico de adenomiose, porém é importante ressaltar que a característica operador-dependente é importante na ultrassonografia. Caso os achados ultrassonográficos sejam inconclusivos ou caso miomas e endometriose severa estejam presentes, a RNM pode ser considerada, pois melhora a performance diagnóstica nesse cenário.Do ponto de vista macroscópico, adenomiose focal é assim definida quando apenas uma parede uterina está acometida pelas lesões adenomióticas. Adenomioma correponde a uma lesão nodular que simula um mioma intramural. Nos demais casos, a adenomiose é considerada difusa. Estão listados abaixo os sinais ultrassonográficos relacionados à adenomiose:
  • Cistos miometriais.
  • Aumento do volume uterino.
  • Espessura miometrial assimétrica (não causada por miomas).
  • Textura miometrial heterogênea.
  • Estrias miometriais hipoecoicas: faixas de sombra acústica paralelas.
  • Linhas hiperecogências subendometriais: finas linhas hiperecogênicas estendendo-se do endométrio para o miométrio.
  • Ilhas hiperecogências miometriais.
  • Junção endométrio-miométrio irregular ou indistinta.
  • Espessamento ou interrupção do halo subendometrial.
  • Adenomioma: nódulo miometrial heterogêneo e mal definido.
  • Distribuição irregular dos vasos sanguíneos no interior de uma lesão miometrial.
 No estudo de Bazot e colaboradores (2002), a associação cisto miometrial + estrias miometriais hipoecogênicas  obteve a melhor performance para o diagnóstico de adenomiose, com sensibilidade de 90 % e especificidade de 100%. 
Imagens com achados ultrassonográficos associados à adenomiose estão apresentadas abaixo:
 
                                                                                
Ilhas hiperecogênicas miometriais (setas) Cisto miometrial (seta) e junção                             estrias hipoecoicas miometriais e endométrio-miométrio irregular                               junção endométrio-miométrio indistinta                     
  Miométrio heterogêneo                                               Miométrio heterogêneo                  
 Estrias hipoecoicas miometriais                                  
A mesma imagem ao lado, com ilustração do(faixas de sombra acústica)                                        "sinal da tempestade"                   
 Referências: Bazot et al., 2001. Ultrasonography compared with magnetic resonance imaging for the diagnosis of adenomyosis: correlation with histopathology.Bazot et al., 2002. Limitations of transvaginal sonography for the diagnosis of adenomyosis, with histopathological correlation.Dueholm, 2006. Transvaginal ultrasound for diagnosis of adenomyosis: a review.Meredith et al., 2009. Diagnostic accuracy of transvaginal sonography for the diagnosis of adenomyosis: systematic review and metaanalysis.Naftalin et al., 2012. How common is adenomyosis? A prospective study of prevalence using transvaginal ultrasound in a gynaecology clinic.Yasbeck et al., 2015. An update on adenomyosis and implantation.