Densitometria óssea – DXA
Guia educacional interativo sobre densitometria óssea (DXA). Desenvolvido com base nas recomendações mais recentes da ISCD (2023).

Navegue pelas seções:
Para que serve
O que a DXA mede

A densitometria óssea por dupla emissão de raios X (DXA) é o método de referência para avaliar a densidade mineral óssea (DMO). Ela quantifica o conteúdo de cálcio e outros minerais no osso, permitindo estimar o risco de fratura e acompanhar a resposta ao tratamento.
Principais aplicações clínicas

- Diagnóstico de osteoporose (critérios OMS)
- Rastreamento em mulheres pós-menopáusicas e homens ≥ 50 anos
- Acompanhamento de tratamento (intervalos adequados)
- Avaliação de osteopenia e risco de fratura
- Indicações especiais (corticoterapia, doenças que afetam o metabolismo ósseo)
Limitações da DXA
- Não avalia qualidade óssea (microarquitetura, turnover)
- Pode subestimar risco em indivíduos com fraturas por fragilidade prévias
- Artefatos (degeneração, escoliose, implantes) podem invalidar sítios
- Valores de referência e pontos de corte variam conforme população e equipamento
A DXA não deve ser interpretada fora do contexto clínico. Correlacione sempre com idade, sexo, história de fraturas, medicamentos e comorbidades.
Sítios avaliados
Coluna lombar (L1–L4)
A coluna lombar (L1 a L4) é um dos principais sítios avaliados na densitometria óssea (DXA) e, em muitos casos, é o sítio de escolha para diagnóstico e acompanhamento, especialmente em adultos.

O que exatamente é medido?
A DXA avalia a densidade mineral óssea das vértebras L1, L2, L3 e L4 — analisadas individualmente e em conjunto (média L1–L4).
Isso permite:
- identificar alterações localizadas;
- detectar inconsistências entre vértebras.
Por que a coluna lombar é tão importante?
Porque ela é rica em osso trabecular, que tem maior atividade metabólica e responde mais rapidamente a doenças e tratamentos.
Na prática:
- alterações aparecem mais cedo que no fêmur;
- excelente para monitoramento terapêutico.
Quando uma vértebra NÃO deve ser usada?
Nem toda vértebra pode ser considerada válida. Devem ser excluídas da análise vértebras com:
- fraturas;
- osteófitos / artrose avançada;
- calcificações (ex.: aorta);
- escoliose importante;
- artefatos técnicos;
- discrepância significativa em relação às adjacentes.
Regra prática: se uma vértebra está claramente "diferente" das outras → suspeitar e revisar.
Quantas vértebras precisam ser válidas?
Para que a análise da coluna seja confiável, é necessário ter pelo menos 2 vértebras válidas. Se isso não for possível, a coluna lombar não deve ser usada para diagnóstico.
Vantagens da coluna lombar
- Alta sensibilidade para alterações precoces.
- Excelente para acompanhamento.
- Permite análise segmentar (vértebra a vértebra).
Limitações importantes
Em pacientes mais idosos, a coluna pode superestimar a densidade óssea devido a artrose, calcificações e alterações degenerativas — o que pode mascarar osteoporose.
Frase-chave
A coluna lombar (L1–L4) é um dos principais sítios para avaliação da densidade mineral óssea, permitindo análise vertebral individual e média. Vértebras com alterações estruturais ou artefatos devem ser excluídas, sendo necessária a presença de pelo menos duas vértebras válidas para interpretação adequada.
Erros comuns
- usar vértebra com artrose importante;
- não excluir vértebra fraturada;
- interpretar média com vértebras inválidas;
- não perceber discrepância entre níveis.
Colo femoral e fêmur total
O quadril é um dos principais sítios avaliados na densitometria óssea (DXA), sendo fundamental tanto para o diagnóstico quanto para a avaliação do risco de fratura.
Os principais sub-sítios analisados são:
- Colo femoral
- Região trocantérica
- Fêmur total

O que exatamente é medido?
A DXA avalia a densidade mineral óssea dessas regiões do fêmur proximal.
Na prática clínica, os mais utilizados são:
- colo femoral;
- fêmur total.
A região trocantérica é medida, mas tem menor uso isolado para decisão clínica.
Por que o quadril é tão importante?
Porque:
- é um dos principais locais de fratura osteoporótica grave;
- está fortemente associado a morbidade e mortalidade;
- apresenta alta correlação com risco de fratura futura.
Na prática:
- o quadril é essencial para estratificação de risco;
- é base para ferramentas como o FRAX.
Qual valor usar para diagnóstico?
Para classificação densitométrica em adultos, utiliza-se o menor T-score válido entre: coluna lombar, colo femoral e fêmur total. Esse valor define a classificação segundo a OMS.
Diferença entre colo femoral e fêmur total
Colo femoral
- região mais estreita do fêmur;
- grande importância clínica;
- muito utilizado em modelos de risco (ex.: FRAX).
Fêmur total
- inclui: colo, região trocantérica e parte do colo inferior;
- maior área → mais reprodutível;
- menos sujeito a variações locais.
Regra prática: colo femoral → risco; fêmur total → acompanhamento mais estável.
Cuidados técnicos importantes
A avaliação do quadril depende muito do posicionamento correto: rotação interna adequada do pé, alinhamento correto do fêmur, evitar encurtamento aparente do colo.
Erros de posicionamento podem:
- alterar artificialmente a DMO;
- comprometer comparações futuras.
Vantagens do quadril
- Forte preditor de fratura.
- Alta relevância clínica.
- Menos afetado por alterações degenerativas que a coluna.
Limitações
- pode sofrer influência de posicionamento inadequado;
- alterações anatômicas ou próteses podem inviabilizar o exame;
- mudanças mais lentas que na coluna (menos sensível para curto prazo).
Frase-chave
O quadril, incluindo o colo femoral e o fêmur total, é um dos principais sítios para avaliação da densidade mineral óssea. Para classificação densitométrica em adultos, utiliza-se o menor T-score válido entre coluna lombar e quadril, conforme os critérios da Organização Mundial da Saúde.
Erros comuns
- usar apenas um sítio e ignorar o menor valor;
- não considerar erro de posicionamento;
- comparar exames com técnica diferente;
- interpretar trocânter isoladamente.
Antebraço — Rádio 33% (1/3 do rádio)
O rádio 33% (1/3 do rádio) é o sítio padronizado para avaliação do antebraço na densitometria óssea (DXA), sendo utilizado em situações específicas, quando a análise da coluna lombar e do quadril não é adequada ou não é possível.

O que exatamente é o "rádio 33%"?
O rádio 33% corresponde a uma região localizada a aproximadamente um terço do comprimento do rádio, medida a partir do punho em direção ao cotovelo.
Na prática:
- mede-se o comprimento do rádio (punho → cotovelo);
- identifica-se cerca de 33% dessa distância;
- essa região é definida como a área de interesse (ROI) para análise densitométrica.
Por que essa região é utilizada?
Porque o rádio 33% é composto predominantemente por osso cortical, que é mais denso e compacto, responde de forma diferente ao osso trabecular e é particularmente afetado em algumas doenças (ex.: hiperparatireoidismo).
Na prática:
- complementa a avaliação da coluna (trabecular);
- permite análise de condições que afetam o osso cortical.
Quando utilizar o rádio 33%?
O antebraço não faz parte da avaliação de rotina. Deve ser utilizado quando:
1. Coluna ou quadril não são interpretáveis
- artrose importante;
- fraturas vertebrais;
- escoliose;
- prótese de quadril;
- artefatos técnicos.
2. Obesidade extrema
Quando o paciente não pode ser adequadamente posicionado no equipamento.
3. Hiperparatireoidismo
Doença que afeta preferencialmente o osso cortical.
Papel no diagnóstico
O rádio 33% pode ser utilizado para avaliação da densidade óssea, porém não substitui coluna lombar e quadril na avaliação de rotina. A classificação densitométrica deve, sempre que possível, ser baseada em coluna lombar e quadril.
Cuidados importantes
- a medição deve ser feita no rádio (não na ulna);
- a região analisada deve corresponder ao terço médio padronizado (33%);
- outras regiões do antebraço não são recomendadas para diagnóstico.
Vantagens
- útil quando outros sítios não são avaliáveis;
- boa reprodutibilidade;
- avaliação específica do osso cortical.
Limitações
- não é sítio de rotina;
- menor correlação com risco de fratura global comparado ao quadril;
- pode ser subutilizado ou interpretado incorretamente.
Frase-chave
O rádio 33% corresponde a uma região do antebraço localizada a um terço do comprimento do rádio, medida a partir do punho, sendo o sítio recomendado para avaliação do antebraço na densitometria óssea, especialmente quando coluna lombar e quadril não são interpretáveis.
Erros comuns
- usar "antebraço" de forma genérica;
- medir região não padronizada;
- interpretar a ulna;
- substituir coluna/quadril sem indicação;
- esquecer que é um sítio complementar.
Corpo inteiro (DXA)
A avaliação de corpo inteiro na densitometria óssea (DXA) é utilizada principalmente para análise de composição corporal e em contextos específicos de pesquisa e avaliação clínica complementar, não sendo o sítio de escolha para o diagnóstico de osteoporose em adultos.
O que exatamente é avaliado?
A DXA de corpo inteiro permite a análise global do organismo, incluindo:
- massa óssea total;
- massa magra (lean mass);
- massa gorda (fat mass);
- distribuição regional da composição corporal.
Alguns equipamentos permitem análise segmentar (membros, tronco).
Para que serve na prática?
1. Avaliação de composição corporal
- estimativa de massa muscular;
- estimativa de gordura corporal;
- distribuição de gordura (ex.: tronco vs membros).
2. Pesquisa clínica
- estudos metabólicos;
- sarcopenia;
- obesidade;
- oncologia.
3. Situações específicas
- avaliação pediátrica (ex.: total body less head);
- monitoramento de composição corporal em seguimento clínico.
Papel no diagnóstico de osteoporose
Não deve ser utilizado para diagnóstico densitométrico de osteoporose em adultos. A classificação densitométrica deve ser baseada em coluna lombar, quadril (e antebraço em situações específicas).
Cuidados importantes
- resultados dependem do protocolo do equipamento;
- comparações devem ser feitas preferencialmente no mesmo aparelho;
- não substituir os sítios padrão para diagnóstico.
Vantagens
- avaliação global do corpo;
- análise de composição corporal detalhada;
- útil em pesquisa e medicina metabólica.
Limitações
- não validado para diagnóstico de osteoporose em adultos;
- menor aplicabilidade clínica na rotina densitométrica;
- dependente de padronização técnica.
Frase-chave
A DXA de corpo inteiro é utilizada principalmente para análise de composição corporal e em contextos de pesquisa ou avaliação clínica complementar, não sendo indicada para o diagnóstico densitométrico de osteoporose em adultos.
Erros comuns
- usar corpo inteiro para diagnosticar osteoporose;
- comparar exames de aparelhos diferentes;
- ignorar variações técnicas do método;
- interpretar sem contexto clínico.
Como interpretar
A escolha do escore (T ou Z) e a terminologia adequada dependem da faixa etária e do sexo. Use sempre a tabela de referência do equipamento e da população.
Mulheres na pós-menopausa
Utilizar T-score (comparação com adulto jovem de referência). Classificação OMS: normal (T ≥ −1,0), osteopenia (T entre −2,5 e −1,0), osteoporose (T ≤ −2,5). Osteoporose estabelecida quando há fratura por fragilidade.
Mulheres na pré-menopausa
Priorizar Z-score. T-score não deve ser usado para diagnóstico de osteoporose nessa faixa. Termo "osteoporose" apenas quando há fraturas por fragilidade ou causas secundárias bem documentadas.
Homens ≥ 50 anos
Utilizar T-score, com os mesmos critérios OMS aplicados às mulheres (valores de referência podem usar curva de referência masculina conforme ISCD/OMS).
Homens < 50 anos
Priorizar Z-score. Evitar diagnóstico de osteoporose apenas pela DMO; considerar causas secundárias e história de fraturas.
Crianças e adolescentes
Utilizar apenas Z-score ajustado para idade e sexo (e preferencialmente para etnia/tamanho quando disponível). Não utilizar T-score nem classificação OMS de adulto.
T-score vs Z-score
T-score
- Definição: Número de desvios padrão em relação ao pico de massa óssea de adulto jovem saudável (mesmo sexo).
- Quando usar: Mulheres pós-menopáusicas e homens ≥ 50 anos para diagnóstico OMS.
- Erro comum: Usar T-score em pré-menopausa ou em crianças.
Frase-resumo: T-score para classificação OMS em adultos (pós-menopausa e homens ≥ 50 anos).
Z-score
- Definição: Número de desvios padrão em relação à média de indivíduos da mesma idade e sexo.
- Quando usar: Pré-menopausa, homens < 50 anos, crianças e adolescentes; e quando Z < −2,0 em adultos para sugerir busca de causas secundárias.
- Erro comum: Chamar Z-score baixo de "osteoporose" em pré-menopausa sem critério clínico.
Frase-resumo: Z-score para comparação com pares etários; em adultos jovens e crianças, não usar T-score para diagnóstico.
Erros comuns
Usar T-score em criança — Em pediatria utilizar apenas Z-score com referência adequada; nunca classificar como osteoporose pelo T-score.
Chamar Z-score baixo de osteoporose em pré-menopausa — Em mulheres na pré-menopausa, o diagnóstico de osteoporose pela DMO deve ser reservado a contextos específicos (fraturas, causas secundárias); evitar rotular apenas pelo Z-score.
Ignorar artefatos — Degeneração discal, osteófitos, fraturas vertebrais e alterações pós-cirúrgicas podem invalidar a coluna lombar; excluir vértebras afetadas ou usar outro sítio.
Interpretar sítio inválido — Sempre verificar qualidade técnica e critérios de exclusão antes de reportar DMO e escores.
Comparar exames sem critério técnico — Mesmo equipamento, mesmo posicionamento e intervalo mínimo entre exames (geralmente 1–2 anos para acompanhamento) são necessários para interpretar mudança na DMO.
Resumo rápido
- Quem usa T-score: Mulheres na pós-menopausa e homens ≥ 50 anos (classificação OMS).
- Quem usa Z-score: Pré-menopausa, homens < 50 anos, crianças e adolescentes; e em adultos quando Z < −2,0 para sugerir causas secundárias.
- Sítios principais: Coluna lombar (L1–L4) e quadril (colo femoral, fêmur total); menor T-score entre eles para OMS.
- Quando lembrar do antebraço: Quando coluna e quadril não forem interpretáveis (artefatos, obesidade, cirurgia).
- Quando evitar o termo osteoporose: Em pré-menopausa e em crianças apenas pela DMO; reservar para contextos com fraturas por fragilidade ou causas secundárias quando aplicável.
Ferramenta de laudo DXA
Preencha os dados abaixo para gerar um laudo estruturado com critérios ISCD/OMS, alertas e validação.
Dados do paciente
Fatores de risco
Densitometria (obrigatório)
Coluna lombar (L1-L4), colo femoral e fêmur total direito. DMO em g/cm²; T-score e Z-score.