Plataforma de Educação e Apoio à Decisão em Imagem da Mulher

Navegue pelas seções:

Para que serve

O que a DXA mede

Paciente em mesa de DXA com técnico ao computador; exame de densitometria óssea.

A densitometria óssea por dupla emissão de raios X (DXA) é o método de referência para avaliar a densidade mineral óssea (DMO). Ela quantifica o conteúdo de cálcio e outros minerais no osso, permitindo estimar o risco de fratura e acompanhar a resposta ao tratamento.

Principais aplicações clínicas

Ilustração: aplicações clínicas da densitometria óssea e osteoporose.
  • Diagnóstico de osteoporose (critérios OMS)
  • Rastreamento em mulheres pós-menopáusicas e homens ≥ 50 anos
  • Acompanhamento de tratamento (intervalos adequados)
  • Avaliação de osteopenia e risco de fratura
  • Indicações especiais (corticoterapia, doenças que afetam o metabolismo ósseo)

Limitações da DXA

  • Não avalia qualidade óssea (microarquitetura, turnover)
  • Pode subestimar risco em indivíduos com fraturas por fragilidade prévias
  • Artefatos (degeneração, escoliose, implantes) podem invalidar sítios
  • Valores de referência e pontos de corte variam conforme população e equipamento

A DXA não deve ser interpretada fora do contexto clínico. Correlacione sempre com idade, sexo, história de fraturas, medicamentos e comorbidades.

Sítios avaliados

Coluna lombar (L1–L4)

A coluna lombar (L1 a L4) é um dos principais sítios avaliados na densitometria óssea (DXA) e, em muitos casos, é o sítio de escolha para diagnóstico e acompanhamento, especialmente em adultos.

Coluna lombar (L1–L4) em densitometria óssea.

O que exatamente é medido?

A DXA avalia a densidade mineral óssea das vértebras L1, L2, L3 e L4 — analisadas individualmente e em conjunto (média L1–L4).

Isso permite:

  • identificar alterações localizadas;
  • detectar inconsistências entre vértebras.

Por que a coluna lombar é tão importante?

Porque ela é rica em osso trabecular, que tem maior atividade metabólica e responde mais rapidamente a doenças e tratamentos.

Na prática:

  • alterações aparecem mais cedo que no fêmur;
  • excelente para monitoramento terapêutico.

Quando uma vértebra NÃO deve ser usada?

Nem toda vértebra pode ser considerada válida. Devem ser excluídas da análise vértebras com:

  • fraturas;
  • osteófitos / artrose avançada;
  • calcificações (ex.: aorta);
  • escoliose importante;
  • artefatos técnicos;
  • discrepância significativa em relação às adjacentes.

Regra prática: se uma vértebra está claramente "diferente" das outras → suspeitar e revisar.

Quantas vértebras precisam ser válidas?

Para que a análise da coluna seja confiável, é necessário ter pelo menos 2 vértebras válidas. Se isso não for possível, a coluna lombar não deve ser usada para diagnóstico.

Vantagens da coluna lombar

  • Alta sensibilidade para alterações precoces.
  • Excelente para acompanhamento.
  • Permite análise segmentar (vértebra a vértebra).

Limitações importantes

Em pacientes mais idosos, a coluna pode superestimar a densidade óssea devido a artrose, calcificações e alterações degenerativas — o que pode mascarar osteoporose.

Frase-chave

A coluna lombar (L1–L4) é um dos principais sítios para avaliação da densidade mineral óssea, permitindo análise vertebral individual e média. Vértebras com alterações estruturais ou artefatos devem ser excluídas, sendo necessária a presença de pelo menos duas vértebras válidas para interpretação adequada.

Erros comuns

  • usar vértebra com artrose importante;
  • não excluir vértebra fraturada;
  • interpretar média com vértebras inválidas;
  • não perceber discrepância entre níveis.

Colo femoral e fêmur total

O quadril é um dos principais sítios avaliados na densitometria óssea (DXA), sendo fundamental tanto para o diagnóstico quanto para a avaliação do risco de fratura.

Os principais sub-sítios analisados são:

  • Colo femoral
  • Região trocantérica
  • Fêmur total
Colo femoral e fêmur total — sítios em densitometria óssea.

O que exatamente é medido?

A DXA avalia a densidade mineral óssea dessas regiões do fêmur proximal.

Na prática clínica, os mais utilizados são:

  • colo femoral;
  • fêmur total.

A região trocantérica é medida, mas tem menor uso isolado para decisão clínica.

Por que o quadril é tão importante?

Porque:

  • é um dos principais locais de fratura osteoporótica grave;
  • está fortemente associado a morbidade e mortalidade;
  • apresenta alta correlação com risco de fratura futura.

Na prática:

  • o quadril é essencial para estratificação de risco;
  • é base para ferramentas como o FRAX.

Qual valor usar para diagnóstico?

Para classificação densitométrica em adultos, utiliza-se o menor T-score válido entre: coluna lombar, colo femoral e fêmur total. Esse valor define a classificação segundo a OMS.

Diferença entre colo femoral e fêmur total

Colo femoral

  • região mais estreita do fêmur;
  • grande importância clínica;
  • muito utilizado em modelos de risco (ex.: FRAX).

Fêmur total

  • inclui: colo, região trocantérica e parte do colo inferior;
  • maior área → mais reprodutível;
  • menos sujeito a variações locais.

Regra prática: colo femoral → risco; fêmur total → acompanhamento mais estável.

Cuidados técnicos importantes

A avaliação do quadril depende muito do posicionamento correto: rotação interna adequada do pé, alinhamento correto do fêmur, evitar encurtamento aparente do colo.

Erros de posicionamento podem:

  • alterar artificialmente a DMO;
  • comprometer comparações futuras.

Vantagens do quadril

  • Forte preditor de fratura.
  • Alta relevância clínica.
  • Menos afetado por alterações degenerativas que a coluna.

Limitações

  • pode sofrer influência de posicionamento inadequado;
  • alterações anatômicas ou próteses podem inviabilizar o exame;
  • mudanças mais lentas que na coluna (menos sensível para curto prazo).

Frase-chave

O quadril, incluindo o colo femoral e o fêmur total, é um dos principais sítios para avaliação da densidade mineral óssea. Para classificação densitométrica em adultos, utiliza-se o menor T-score válido entre coluna lombar e quadril, conforme os critérios da Organização Mundial da Saúde.

Erros comuns

  • usar apenas um sítio e ignorar o menor valor;
  • não considerar erro de posicionamento;
  • comparar exames com técnica diferente;
  • interpretar trocânter isoladamente.

Antebraço — Rádio 33% (1/3 do rádio)

O rádio 33% (1/3 do rádio) é o sítio padronizado para avaliação do antebraço na densitometria óssea (DXA), sendo utilizado em situações específicas, quando a análise da coluna lombar e do quadril não é adequada ou não é possível.

Antebraço — região do rádio 33% em densitometria óssea.

O que exatamente é o "rádio 33%"?

O rádio 33% corresponde a uma região localizada a aproximadamente um terço do comprimento do rádio, medida a partir do punho em direção ao cotovelo.

Na prática:

  • mede-se o comprimento do rádio (punho → cotovelo);
  • identifica-se cerca de 33% dessa distância;
  • essa região é definida como a área de interesse (ROI) para análise densitométrica.

Por que essa região é utilizada?

Porque o rádio 33% é composto predominantemente por osso cortical, que é mais denso e compacto, responde de forma diferente ao osso trabecular e é particularmente afetado em algumas doenças (ex.: hiperparatireoidismo).

Na prática:

  • complementa a avaliação da coluna (trabecular);
  • permite análise de condições que afetam o osso cortical.

Quando utilizar o rádio 33%?

O antebraço não faz parte da avaliação de rotina. Deve ser utilizado quando:

1. Coluna ou quadril não são interpretáveis

  • artrose importante;
  • fraturas vertebrais;
  • escoliose;
  • prótese de quadril;
  • artefatos técnicos.

2. Obesidade extrema

Quando o paciente não pode ser adequadamente posicionado no equipamento.

3. Hiperparatireoidismo

Doença que afeta preferencialmente o osso cortical.

Papel no diagnóstico

O rádio 33% pode ser utilizado para avaliação da densidade óssea, porém não substitui coluna lombar e quadril na avaliação de rotina. A classificação densitométrica deve, sempre que possível, ser baseada em coluna lombar e quadril.

Cuidados importantes

  • a medição deve ser feita no rádio (não na ulna);
  • a região analisada deve corresponder ao terço médio padronizado (33%);
  • outras regiões do antebraço não são recomendadas para diagnóstico.

Vantagens

  • útil quando outros sítios não são avaliáveis;
  • boa reprodutibilidade;
  • avaliação específica do osso cortical.

Limitações

  • não é sítio de rotina;
  • menor correlação com risco de fratura global comparado ao quadril;
  • pode ser subutilizado ou interpretado incorretamente.

Frase-chave

O rádio 33% corresponde a uma região do antebraço localizada a um terço do comprimento do rádio, medida a partir do punho, sendo o sítio recomendado para avaliação do antebraço na densitometria óssea, especialmente quando coluna lombar e quadril não são interpretáveis.

Erros comuns

  • usar "antebraço" de forma genérica;
  • medir região não padronizada;
  • interpretar a ulna;
  • substituir coluna/quadril sem indicação;
  • esquecer que é um sítio complementar.

Corpo inteiro (DXA)

A avaliação de corpo inteiro na densitometria óssea (DXA) é utilizada principalmente para análise de composição corporal e em contextos específicos de pesquisa e avaliação clínica complementar, não sendo o sítio de escolha para o diagnóstico de osteoporose em adultos.

O que exatamente é avaliado?

A DXA de corpo inteiro permite a análise global do organismo, incluindo:

  • massa óssea total;
  • massa magra (lean mass);
  • massa gorda (fat mass);
  • distribuição regional da composição corporal.

Alguns equipamentos permitem análise segmentar (membros, tronco).

Para que serve na prática?

1. Avaliação de composição corporal

  • estimativa de massa muscular;
  • estimativa de gordura corporal;
  • distribuição de gordura (ex.: tronco vs membros).

2. Pesquisa clínica

  • estudos metabólicos;
  • sarcopenia;
  • obesidade;
  • oncologia.

3. Situações específicas

  • avaliação pediátrica (ex.: total body less head);
  • monitoramento de composição corporal em seguimento clínico.

Papel no diagnóstico de osteoporose

Não deve ser utilizado para diagnóstico densitométrico de osteoporose em adultos. A classificação densitométrica deve ser baseada em coluna lombar, quadril (e antebraço em situações específicas).

Cuidados importantes

  • resultados dependem do protocolo do equipamento;
  • comparações devem ser feitas preferencialmente no mesmo aparelho;
  • não substituir os sítios padrão para diagnóstico.

Vantagens

  • avaliação global do corpo;
  • análise de composição corporal detalhada;
  • útil em pesquisa e medicina metabólica.

Limitações

  • não validado para diagnóstico de osteoporose em adultos;
  • menor aplicabilidade clínica na rotina densitométrica;
  • dependente de padronização técnica.

Frase-chave

A DXA de corpo inteiro é utilizada principalmente para análise de composição corporal e em contextos de pesquisa ou avaliação clínica complementar, não sendo indicada para o diagnóstico densitométrico de osteoporose em adultos.

Erros comuns

  • usar corpo inteiro para diagnosticar osteoporose;
  • comparar exames de aparelhos diferentes;
  • ignorar variações técnicas do método;
  • interpretar sem contexto clínico.
[FIGURA — mapa anatômico dos sítios DXA]

Como interpretar

A escolha do escore (T ou Z) e a terminologia adequada dependem da faixa etária e do sexo. Use sempre a tabela de referência do equipamento e da população.

Mulheres na pós-menopausa

Utilizar T-score (comparação com adulto jovem de referência). Classificação OMS: normal (T ≥ −1,0), osteopenia (T entre −2,5 e −1,0), osteoporose (T ≤ −2,5). Osteoporose estabelecida quando há fratura por fragilidade.

Usar T-score

Mulheres na pré-menopausa

Priorizar Z-score. T-score não deve ser usado para diagnóstico de osteoporose nessa faixa. Termo "osteoporose" apenas quando há fraturas por fragilidade ou causas secundárias bem documentadas.

Priorizar Z-score; não utilizar terminologia de adulto para osteoporose sem contexto

Homens ≥ 50 anos

Utilizar T-score, com os mesmos critérios OMS aplicados às mulheres (valores de referência podem usar curva de referência masculina conforme ISCD/OMS).

Usar T-score

Homens < 50 anos

Priorizar Z-score. Evitar diagnóstico de osteoporose apenas pela DMO; considerar causas secundárias e história de fraturas.

Priorizar Z-score

Crianças e adolescentes

Utilizar apenas Z-score ajustado para idade e sexo (e preferencialmente para etnia/tamanho quando disponível). Não utilizar T-score nem classificação OMS de adulto.

Não utilizar terminologia de adulto; usar Z-score com referência pediátrica
[FIGURA — mulher jovem]
[FIGURA — mulher pós-menopausa]
[FIGURA — homem adulto]
[FIGURA — criança/adolescente]

T-score vs Z-score

T-score

  • Definição: Número de desvios padrão em relação ao pico de massa óssea de adulto jovem saudável (mesmo sexo).
  • Quando usar: Mulheres pós-menopáusicas e homens ≥ 50 anos para diagnóstico OMS.
  • Erro comum: Usar T-score em pré-menopausa ou em crianças.

Frase-resumo: T-score para classificação OMS em adultos (pós-menopausa e homens ≥ 50 anos).

Z-score

  • Definição: Número de desvios padrão em relação à média de indivíduos da mesma idade e sexo.
  • Quando usar: Pré-menopausa, homens < 50 anos, crianças e adolescentes; e quando Z < −2,0 em adultos para sugerir busca de causas secundárias.
  • Erro comum: Chamar Z-score baixo de "osteoporose" em pré-menopausa sem critério clínico.

Frase-resumo: Z-score para comparação com pares etários; em adultos jovens e crianças, não usar T-score para diagnóstico.

Erros comuns

Usar T-score em criança — Em pediatria utilizar apenas Z-score com referência adequada; nunca classificar como osteoporose pelo T-score.

Chamar Z-score baixo de osteoporose em pré-menopausa — Em mulheres na pré-menopausa, o diagnóstico de osteoporose pela DMO deve ser reservado a contextos específicos (fraturas, causas secundárias); evitar rotular apenas pelo Z-score.

Ignorar artefatos — Degeneração discal, osteófitos, fraturas vertebrais e alterações pós-cirúrgicas podem invalidar a coluna lombar; excluir vértebras afetadas ou usar outro sítio.

Interpretar sítio inválido — Sempre verificar qualidade técnica e critérios de exclusão antes de reportar DMO e escores.

Comparar exames sem critério técnico — Mesmo equipamento, mesmo posicionamento e intervalo mínimo entre exames (geralmente 1–2 anos para acompanhamento) são necessários para interpretar mudança na DMO.

[FIGURA — artefato degenerativo na coluna]

Resumo rápido

  • Quem usa T-score: Mulheres na pós-menopausa e homens ≥ 50 anos (classificação OMS).
  • Quem usa Z-score: Pré-menopausa, homens < 50 anos, crianças e adolescentes; e em adultos quando Z < −2,0 para sugerir causas secundárias.
  • Sítios principais: Coluna lombar (L1–L4) e quadril (colo femoral, fêmur total); menor T-score entre eles para OMS.
  • Quando lembrar do antebraço: Quando coluna e quadril não forem interpretáveis (artefatos, obesidade, cirurgia).
  • Quando evitar o termo osteoporose: Em pré-menopausa e em crianças apenas pela DMO; reservar para contextos com fraturas por fragilidade ou causas secundárias quando aplicável.

Ferramenta de laudo DXA

Preencha os dados abaixo para gerar um laudo estruturado com critérios ISCD/OMS, alertas e validação.

Dados do paciente

Fatores de risco

Fratura por fragilidade prévia
Fratura de quadril parental
Uso de glicocorticóide
Tabagismo
Atividade física

Densitometria (obrigatório)

Coluna lombar (L1-L4), colo femoral e fêmur total direito. DMO em g/cm²; T-score e Z-score.

Coluna lombar (L1-L4)
Colo femoral direito
Fêmur total direito

Equipamento e observações