Conduta pós-aborto no primeiro trimestre
Fluxograma no 1º trimestre (ACOG, NICE, FIGO). A curetagem não é obrigatória após aborto na maioria dos casos.

Fluxograma interativo
Indicações absolutas para curetagem segundo diretrizes internacionais (ACOG, NICE/RCOG, FIGO):
Triagem
Pergunta 1 de 4
Infecção (endometrite, sepse)
Sim = critério presente. Não = ausente.
Orientações sobre ultrassom
A ultrassonografia é um exame complementar e, na maioria dos casos, não deve determinar a conduta de forma isolada. Achados ultrassonográficos, quando avaliados sozinhos, têm baixa precisão para indicar necessidade de intervenção cirúrgica. Da mesma forma, a espessura endometrial isoladamente não deve ser utilizada para indicar esvaziamento uterino, pois não existe um valor de corte confiável que defina essa necessidade.
Técnica cirúrgica (quando indicada)
Referências completas (Vancouver)
- Sporadic Miscarriage: Evidence to Provide Effective Care. Lancet. 2021. Coomarasamy A, Gallos ID, Papadopoulou A, et al.
- Treatment Options After a Diagnosis of Early Miscarriage: Expectant, Medical, and Surgical. Deutsches Arzteblatt International. 2021. Musik T, Grimm J, Juhasz-Böss I, Bäz E.
- Methods for Managing Miscarriage: A Network Meta-Analysis. The Cochrane Database of Systematic Reviews. 2021. Ghosh J, Papadopoulou A, Devall AJ, et al.
- Ultrasonographic Endometrial Thickness After Medical and Surgical Management of Early Pregnancy Failure. Obstetrics and Gynecology. 2008. Reeves MF, Lohr PA, Harwood BJ, Creinin MD.
- Endometrial Thickness Following Medical Abortion Is Not Predictive of Subsequent Surgical Intervention. Ultrasound in Obstetrics & Gynecology : The Official Journal of the International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology. 2009. Reeves MF, Fox MC, Lohr PA, Creinin MD.
- Role of Transvaginal Sonography in the Diagnosis of Retained Products of Conception. Archives of Gynecology and Obstetrics. 2008. Ustunyurt E, Kaymak O, Iskender C, et al.
- The Value of Measuring Endometrial Thickness and Volume on Transvaginal Ultrasound Scan for the Diagnosis of Incomplete Miscarriage. Ultrasound in Obstetrics & Gynecology : The Official Journal of the International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology. 2007. Sawyer E, Ofuasia E, Ofili-Yebovi D, et al.
- Expectant vs Medical Management for Retained Products of Conception After Medical Termination of Pregnancy: A Randomized Controlled Study. American Journal of Obstetrics and Gynecology. 2022. Tzur Y, Berkovitz-Shperling R, Goitein Inbar T, et al.
- Surgical Procedures for Evacuating Incomplete Miscarriage. The Cochrane Database of Systematic Reviews. 2010. Tunçalp O, Gülmezoglu AM, Souza JP.
- Operative Hysteroscopy vs Vacuum Aspiration for Incomplete Spontaneous Abortion: A Randomized Clinical Trial. The Journal of the American Medical Association. 2023. Huchon C, Drioueche H, Koskas M, et al.
- Complications of Unsafe and Self-Managed Abortion. The New England Journal of Medicine. 2020. Harris LH, Grossman D.
Ferramenta educacional. Não substitui protocolos locais nem o julgamento do profissional responsável.
Como decidir a conduta pós-aborto no 1º trimestre
A curetagem não é obrigatória na maioria dos casos de aborto no primeiro trimestre. A escolha entre conduta expectante, medicamentosa ou cirúrgica depende de critérios de urgência, do tipo de aborto e da preferência da paciente (ACOG, NICE, FIGO).
Indicações absolutas para curetagem
- Infecção (endometrite, sepse)
- Sangramento intenso e persistente com instabilidade hemodinâmica
- Coagulopatia pré-existente
- Hemorragia que não responde a medidas conservadoras
Na ausência desses critérios, o manejo pode ser expectante, medicamentoso ou cirúrgico — a escolha deve ser compartilhada com a paciente.
Conduta conforme o tipo de aborto
| Tipo | Conduta |
|---|---|
| Aborto completo | A escolha entre manejo expectante, clínico e cirúrgico deve ser compartilhada com a paciente. |
| Aborto incompleto | Conduta expectante, misoprostol ou curetagem/aspiração uterina, conforme disponibilidade e preferência da paciente. |
| Aborto retido (missed abortion) | Curetagem/aspiração a vácuo com preparo cervical, ou mifepristona + misoprostol (se clínico). |
| Aborto infectado | Antibioticoterapia se infecção suspeita ou confirmada, e esvaziamento uterino — preferir aspiração a vácuo. |
| Gestação de localização desconhecida (PUL) | β-hCG seriado, repetição de ultrassom e avaliação de risco de gestação ectópica (NICE NG126). |
O papel do ultrassom
A ultrassonografia é um exame complementar e, na maioria dos casos, não deve determinar a conduta de forma isolada. Achados ultrassonográficos, quando avaliados sozinhos, têm baixa precisão para indicar necessidade de intervenção cirúrgica. A espessura endometrial isoladamente não deve ser usada para indicar esvaziamento uterino — não existe um valor de corte confiável que defina essa necessidade.
Técnica cirúrgica, quando indicada
Preferir aspiração a vácuo. Evitar curetagem cortante como primeira escolha — menor dor, sangramento e tempo de procedimento (Tunçalp O et al., Cochrane 2010; Huchon C et al., JAMA 2023).