Plataforma de Educação e Apoio à Decisão em Imagem da Mulher

Texto ilustrado

Anatomia ultrassonográfica da mama

Reconhecendo as principais estruturas

  • Mastologia
  • Fundamentos
  • 20 min
  • Publicado em
← Voltar para aulas

Conteúdo

Anatomia ultrassonográfica da mama
                                                                                                                                                                    
Introdução à sonoanatomia

A compreensão da sonoanatomia mamária é a base para uma interpretação ultrassonográfica segura e consistente. Reconhecer as camadas da mama, seus padrões ecográficos normais e a organização ductolobular permite localizar adequadamente as lesões, diferenciar variações anatômicas de achados patológicos e aplicar corretamente os critérios morfológicos do BI-RADS. Sem esse alicerce anatômico, a análise por ultrassom perde precisão, reprodutibilidade e valor clínico.


Planos estruturais da mama à ultrassonografia 



A aparência em camadas da anatomia mamária normal fornece marcos anatômicos que auxiliam na localização de uma massa inicialmente identificada por outros métodos de imagem ou pelo exame físico. Da superfície para a profundidade, as camadas da mama incluem: pele ecogênica; gordura subcutânea isoecoica, que contém os ligamentos de Cooper; a zona fibroglandular ecogênica; e a gordura retroglandular isoecoica. Todo esse conjunto de tecidos recobre o músculo peitoral maior, que apresenta ecogenicidade semelhante (isoecoico).


Sonoanatomia  mamária 

  Zona glandular A maior parte dos ductos e das unidades funcionais da mama, incluindo as unidades ducto-lobulares terminais, encontram-se na zona glandular (também chamada de zona mamária), que é envelopada pelas fáscias pré e pós glandulares. 

Representação da topografia das fáscias pré e pós-glandulares A maior parte dos nódulos mamários são identificados na zona glandular. 

A fáscia pré-mamária representa uma barreira relativa para a progreção de patologias originárias da zona glandular até o subcutâneo e a pele


Essa figura ilustra um nódulo com diagnóstico de carcinoma ductal invasivo da mama que não progrediu além da fáscia pré-glandular (linha pontilhada) 


Nódulo localozado na zona glandular (marcada em azul)

Gordura pré-glandular 

A maior parte das lesões restritas à gordura pré-glandular são patologias da pele e/ou do subcutâneo como lipomas e cistos sebáceos. A ecotextura dos achados da ultrassonografia mamária deve ser comparada à ecotextura da gordura pré-glandular, que deve ser ajustada no equipamento de ultrassonografia como um cinza médio. Lesões mais claras do que a gordura pré-glandular devem der descritas como hiperecóicas; lesões mais escuras, como hipoecóicas. Lesões com a mesmo ecotextura da gordura pré-glandular são isoecóicas.

Gordura retroglandular 
A gordura retroglandular é comprimida entre a zona mamária e o músculo peitoral. Dessa forma a gordura retroglandular costuma aparentar uma espessura bem inferior à gordura pré-glandular. Em alguns casos a gordura retroglandular chega a ser completamente obliterada à ultrassonografia, o que torna difícil determinar pela ultrassonografia se nódulos profundos acometem o músculo peitoral maior.



Unidade funcional da mama
 

Durante a vida reprodutiva da mulher, o parênquima glandular mamário é constituído  por entre 15 e 20 lobos. Cada lobo é formado por vários lóbulos e ductos, que se unem para constituir os ductos principais. A maior parte das patologias malignas da mama se originam nas unidades ducto-lobulares terminais. 


Unidade funcional da mama
 O tecido estromal / fibroso intelobar apresenta ecotextura hiperecóica. Por outro lado, o tecido glandular (lóbulos) e os elementos ductais  apresentam ecotextura hipo ou isoecóica. 

A imagem do estudo anátomopatológico que ilustra essa figura  foi obtida no site: anatpat.unicamp.


 Sonoanatomia mamária Na maioria dos exames ultrassonográficos das mamas podem ser identificados 6 planos estruturais: pele, subcutâneo, zona glandular, tecido adiposo retroglandular, músculo peitoral e parede torácica.
 

.


Ligamentos de Cooper
 

Os ligamentos de Cooper fazem parte do tecido fibroso de sustentação do parênquima mamário. Tratam-se de pregas da fáscia mamária pré-glandular que se estendem da zona mamária até a pele. A espessura da zona mamária é máxima sob os ligamentos de Cooper e entre os seus folhetos o parênquima fibroglandular se projeta em direção à pele, tornando esses os pontos mais propensos à progressão do câncer de mama em direção à pele. 



As setas indicam um ligamento de Cooper, interpretado à ultrassonografia como uma linha ecogênica estendendo-se da zona mamária à pele
  Involução do parênquima fibroglandular 


No processo de involução do parênquima fibroglandular, a zona mamária  é entremeada por ilhotas de gordura e progressivamente diminui de espessura, persistindo nos pontos do pregreamento da fáscia pré-glandular (ligamento de Cooper).

As marcas em amarelo representam áreas em que o parênquima fibroglandular fou substituido por gordura isoecoica à gorda pré-glandular.
  
Persistência do estroma / fibrose / interlobar sob o ligamento de Cooper. ReferênciaStavros, A. Thomas., Cynthia L. Rapp, and Steve H. Parker. Breast Ultrasound. Philadelphia, Pennsylvania: Lippincott Williams & Wilkins, 2004