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Conceitualmente, é diferente da Síndrome de Mallory-Weiss, onde você tem apenas lacerações da mucosa, e um quadro de hemorragia digestiva alta.
É uma condição incomum, grave e potencialmente letal se não tratada a tempo. Corresponde a apenas 15% das perfurações esofágicas.
Este conjunto de forças gera uma ruptura transmural longitudinal de alguns centímetros (~2,2 cm) no aspecto posterolateral (mais comumente à esquerda) do esôfago intratorácico (segmento mais acometido, ~90%), cerca de 3-6 cm acima do diafragma.
Outras circunstâncias mais incomuns (e até curiosas) são: parto, tosse prolongada, risadas, levantamento de peso, convulsões, crise asmática, manobra de Heimlich e até durante o sono.
É mais comum ocorrer em um esôfago normal, embora em alguns casos existe patologia subjacente (como Barret, esofagite eosinofílica...).
Os sintomas podem ser variáveis na dependência do local e tamanho da perfuração: dor cervical (para perfurações altas) e dor epigástrica (para àquelas intra-abdominais).
Diagnóstico
A história clínica é a dica para um exame de imagem definidor.
Imagem
A radiografia simples identifica sinais indiretos: (1) alargamento do mediastino (2) pneumomediastino (3) pneumotórax e (4) derrame pleural (geralmente à esquerda). Uma radiografia normal não é capaz de excluir o diagnóstico.
Entre os sinais da radiologia convencional destaca-se:
- Sinal do V de Naclerio: linha radiolucente vertical que cruza e forma o vértice do ‘V’ quando atinge outra linha radiolucente horizontal que acompanha o hemidiafragma esquerdo. É um sinal de pneumomediastino e está presente em apenas 10-20% dos casos.
O esofagograma com contraste iodado demonstra extravasamento extraluminal do meio de contraste através da parede lateral esquerda do esôfago e imediatamente acima da junção gastroesofágica. Podem ocorrer resultados falso negativos.
Exame de maior sensibilidade para a visibilização direta da descontinuidade das camadas do esôfago, como também para identificação de achados secundários à perfuração: (1) espessamento parietal esofágico (2) gás periesofágico (3) pneumomediastino (na ausência de lesão traqueal) (4) pneumotórax e (5) derrame pleural.
Achados menores: ateromatose calcificada aórtica.
Em alguns casos, a confirmação de descontinuidade transmural pode ser feita com o uso de contraste via oral.
Diagnóstico diferencial
- Iatrogênico (endoscopia, 75%; SNG)
- Síndrome de Mallory-Weiss - ulceração de mucosa.
- Divertículo de epifrênico (de pulsão)
Tratamento
Em condições cirúrgicas ótimas, a mortalidade gira em torno de 15% (geralmente associado ao choque cardiocirculatório que logo aparece).
- Fístula esôfagopleural
- Empiema
- Pneumonia
- Mediastinite aguda
- Sepse