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Figura 1 - Tomografia computadorizada do abdômen em cortes axiais - pós contraste - fase portal - mostra lesão sólida, hipovascular, com aspecto heterogêneo, sem realce significativo ao contraste.
Figura 2 - Ultrassonografia transvaginal, mostrando o útero (seta branca) e o tumor anexial à direita (seta azul), hipoecoico, com ecotextura sólida e contorno regular. Não foi identificado fluxo ao Doppler. Esses achados ultrassonográficos são compatíveis com fibroma ovariano.
Figure 3 - Intraoperatório mostrando a torção do pedículo vascular. Ao corte da peça, extensas áreas sugestivas de necrose e hemorragia, que foram confirmados no exame anatomo patológico.
A torção do ovário sobre os seus ligamentos e pedículo vascular compromete os seus fluxos venoso e linfático. O fluxo arterial costuma ser menos afetado em função da espessura da parede muscular. O aumento da pressão sanguínea e linfática leva ao aumento do volume ovariano, ao edema do parênquima, à distensão da cápsula e à transudação de líquido livre para a cavidade abdominal. Os sintomas não são específicos, podendo incluir dor aguda localizada do lado direito ou esquerdo do abdômen inferior, massa abdominal palpável, sinais peritoneais, febre, náuseas e vômitos. Com o tempo, podem ocorrer fenômenos como trombose arterial, isquemia e infarto do tecido, que podem evoluir para inflamação e infecção sistêmicas.
A torção ovariana pode ocorrer em mulheres de qualquer faixa etária, porém é mais frequente nas mulheres em idade reprodutiva. Até 20% dos casos ocorrem em mulheres grávidas. A torção ocorre principalmente devido à presença de massas ovarianas, como grandes cistos e tumores, como teratomas, cistos hemorrágicos, cistoadenomas e fibromas. A torção de um ovário normal é rara e mais frequente em adolescentes.
O fibroma é o tumor sólido benigno de ovário mais frequente. Acomete mulheres entre 20 e 65 anos, principalmente entre a 5ª e 6ª décadas de vida. Geralmente são assintomáticos, mas podem se manifestar com distensão abdominal, sintomas urinários, dor abdominal e torção de ovário.
O tratamento da torção ovariana é cirúrgico. O diagnóstico precoce favorece a preservação do ovário em mulheres jovens antes que trombos vasculares ou danos irreversíveis ao parênquima ocorram. A salpingooforectomia é o tratamento de escolha nas mulheres mais velhas.
Os sintomas clínicos da torção ovariana também ocorrem em outras condições como apendicite aguda, doença inflamatória pélvica aguda, gestação ectópica tubária e corpo lúteo hemorrágico. Exames laboratoriais e de imagem como a tomografia computadorizada e a ultrassonografia pélvica e/ou transvaginal auxiliam no diagnóstico definitivo.