Autor: Vitor De Carli
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Paciente do sexo feminino, 60 anos, procurou o pronto socorro devido a dor abdominal difusa acompanhada de distensão abdominal, náusea e vômitos há 2 dias. Negava febre ou antecedentes clínicos relevantes. Ao exame físico a paciente estava em regular estado geral, corada, levemente desidratada, afebril e apresentava dor moderada e distensão abdominal difusa, sem sinais de peritonite. A hipótese diagnóstica foi de semi oclusão intestinal. Foram solicitados exames laboratoriais e tomografia computadorizada do abdome com contraste.
enchimento na artéria (seta vermelha) e veia (seta azul) mesentérica superior, compatível com trombose. Notar a
distensão difusa das alças intestinais do delgado secundária à obstrução vascular acima descrita.
ausência de captação de contraste / vascularização de alças do íleo distal e no ceco (setas contínua), compatível com
isquemia mesentérica. Observam-se alças do duodeno e jejuno com contrastação normal (seta
pontilhada).
vascularização de alças do íleo distal e no ceco (seta contínua), compatível com isquemia
mesentérica. Observa-se alças do duodeno e jejuno com contratação normal (seta pontilhada).
Evolução clínica
A paciente foi submetida a laparotomia exploradora que confirmou o diagnóstico de isquemia mesentérica aguda (Figura 4). A paciente evoluiu bem no pós operatório e teve alta hospitalar após 7 dias.
O diagnóstico precoce da isquemia mesentérica é um desafio tanto clinico como radiológico. A frequencia da isquemia mesentérica aumenta com a idade. O quadro clinico costuma ser caracterizado por dores intensas na região epigástrica ou mesogástrica. O paciente costumam apresentar-se inquietos e sudoreicos. Os ruídos hidroaereos costumam estar aumentados na fase inicial. Com o decorrer do tempo ocorrem sinais de irritação peritoneal e distensão abdominal.
Imagem
Nos exames de imagem deve-se buscar o diagnóstico diferencial entre os processos isquêmicos e inflamatórios. É importante salientar que a ausência de lesões oclusivas vasculares não afasta a possibilidade de processo isquêmico por hipofluxo, doença de pequenos vasos ou estrangulamento vascular.
O exame de imagem considerado como padrão ouro para o diagnóstico de isquemia mesentérica é a angiografia por cateterismo com subtração digital. Em alguns casos ela pode ser terapêutica quando faz a desobstrução direta (trombectomia) ou indireta (angicoagulante).
É um dos melhores métodos para confirmação do diagnóstico, com alto valor preditivo positivo. Em todos os casos há um conjunto de achados que aparecem neste contexto de doença:
- Nos casos de embolismo ou trombose, é possível ver em alguns casos, diretamente o local de obstrução.
- Atenuação da parede intestinal é variável: pode ser baixa devido ao edema ou alta, quando há hemorragia parietal.
- Espessamento parietal (sendo mais proeminente na trombose venosa)
- Dilatação intestinal difusa.
- Na isquemia mesentérica aguda, pode ocorrer uma hipoperfusão de alças que ficará bem caracterizada pela ausência de realce nas fases com contraste - indicando um caso de maior gravidade.
- Ascite.
- Pneumatose é identificada em 6% a 28% dos casos e indica isquemia transmural. É um sinal relacionado com gravidade, assim como aeroportograma.